um lugar mais distante na maneira de viver
um oasis no deserto tão constante quanto queima
uma pausa do normal elucidando possibilidades
uma brisa desligada que apaixona quem não a espera
companhias preocupadas somente em fugir do lar
sentindo-se mais nele do que quando a pés no chão
bastardos recheados com roxo e amarelo brilhante
no encontro de belas águas se secam em plano grama
sábado, 30 de janeiro de 2010
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
DIÁLOGO XII
O BALANÇO VAI E VEM ATÉ ALGUÉM PULAR MAIS LONGE...
esses três meses de férias que minha universidade dá no final do ano vêm muito a calhar, só pra não dizer que eles devem isso à gente depois de tanto "sofrimento" nos estudos. tem gente que acha ruim tanto tempo livre e quer voltar logo a fazer algo de novo, já eu não... bem, se você entender esse "algo de novo" como algo novo, também me incluo nessa, mas estou falando aqui de fazer a mesma coisa novamente (desculpando o trocadilho infame).
curto muito acordar depois das 14h, sentar na cadeira de frente pro computador e só sair dali pra ir novamente para a cama dormir... sim, eu gosto muito mais disso do que ter que me levantar às 6h todos os dias e pegar duas conduções pra ir à universidade e mais duas pra voltar, além de ter toneladas de páginas pra ler e escrever durante o semestre... sim, eu prefiro o ócio, o sedentarismo, desculpem-me. eu preciso disso! além do mais, dependendo do dia, da minha disposição e dos convites que recebo, eu posso não ficar só na cadeira de frente pro computador (acreditem!). posso ir ao cinema, sair pra beber com meus amigos, sair com alguma "comade", ensaiar com minhas bandas, enfim...
independente de eu realizar todas estas atividades ou não, o que eu gosto é de tê-las à minha disposição quando eu quero, sem ter que me preocupar com horários, trabalhos, estágios, etc. isso quer dizer que eu prefiro não sair de casa porque não quero do que não sair de casa porque tenho obrigações a fazer. e as férias me proporcionam este grau de liberdade, por isso a cada final e começo de ano eu me renovo pra mais um ano de batalha.
mas será que a faculdade deveria ser mesmo essa "tortura" que eu estou dando a enteder que seja? será que não deveria ser um local onde você, mesmo com um pouco de cansaço físico e psíquico, está fazendo algo que você gosta, que você escolheu fazer?
é... deveria.
esses três meses de férias que minha universidade dá no final do ano vêm muito a calhar, só pra não dizer que eles devem isso à gente depois de tanto "sofrimento" nos estudos. tem gente que acha ruim tanto tempo livre e quer voltar logo a fazer algo de novo, já eu não... bem, se você entender esse "algo de novo" como algo novo, também me incluo nessa, mas estou falando aqui de fazer a mesma coisa novamente (desculpando o trocadilho infame).
curto muito acordar depois das 14h, sentar na cadeira de frente pro computador e só sair dali pra ir novamente para a cama dormir... sim, eu gosto muito mais disso do que ter que me levantar às 6h todos os dias e pegar duas conduções pra ir à universidade e mais duas pra voltar, além de ter toneladas de páginas pra ler e escrever durante o semestre... sim, eu prefiro o ócio, o sedentarismo, desculpem-me. eu preciso disso! além do mais, dependendo do dia, da minha disposição e dos convites que recebo, eu posso não ficar só na cadeira de frente pro computador (acreditem!). posso ir ao cinema, sair pra beber com meus amigos, sair com alguma "comade", ensaiar com minhas bandas, enfim...
independente de eu realizar todas estas atividades ou não, o que eu gosto é de tê-las à minha disposição quando eu quero, sem ter que me preocupar com horários, trabalhos, estágios, etc. isso quer dizer que eu prefiro não sair de casa porque não quero do que não sair de casa porque tenho obrigações a fazer. e as férias me proporcionam este grau de liberdade, por isso a cada final e começo de ano eu me renovo pra mais um ano de batalha.
mas será que a faculdade deveria ser mesmo essa "tortura" que eu estou dando a enteder que seja? será que não deveria ser um local onde você, mesmo com um pouco de cansaço físico e psíquico, está fazendo algo que você gosta, que você escolheu fazer?
é... deveria.
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
luz
um dia a mais na selvageria do grande tédio
nada tão perigoso quanto a certeza do porvir
e pra loucura da rotina não existe um remédio
que me traga o estrago que a vida toma em si
forças ignoram sua importância pra um ataque
revidando a segurança sufocante da quietude
e não me resta uma reserva de onde eu saque
a energia necessária para a luz que não se ilude
sem anseios que me joguem para dentro das ações
nem motivos que me firam por não querer mudar
continuo indiferente a toda espécie de emoções
obrigando-me a ser feliz devido a paz deste lugar
nada tão perigoso quanto a certeza do porvir
e pra loucura da rotina não existe um remédio
que me traga o estrago que a vida toma em si
forças ignoram sua importância pra um ataque
revidando a segurança sufocante da quietude
e não me resta uma reserva de onde eu saque
a energia necessária para a luz que não se ilude
sem anseios que me joguem para dentro das ações
nem motivos que me firam por não querer mudar
continuo indiferente a toda espécie de emoções
obrigando-me a ser feliz devido a paz deste lugar
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
a perna da mentira
o meu mundo caiu
não reagi como esperado
fiz uma cara de assustado
infelizmente ninguém viu
esse peso não me deixa
até que eu o esconda
dessa gente que me ronda
do que ignora não se queixa
uma idéia quase afogada
ainda serve de esperança
para mim e minha poupança
que não quer ser explorada
e de nada adiantou
um ser humano muito bom
independente do seu tom
minha paz se acabou
não reagi como esperado
fiz uma cara de assustado
infelizmente ninguém viu
esse peso não me deixa
até que eu o esconda
dessa gente que me ronda
do que ignora não se queixa
uma idéia quase afogada
ainda serve de esperança
para mim e minha poupança
que não quer ser explorada
e de nada adiantou
um ser humano muito bom
independente do seu tom
minha paz se acabou
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
do avesso
um segundo vira os planos do avesso
um travesso momentinho do capeta
faz careta pra assustar com a mesma arma
mas seu carma vem na forma do meu mundo
tripulias meticulosamente inventadas
e contadas como verdade se o caso for
de por em evidência uma velha falha
em que a malha se dá de acordo com as folias
por fim um grande alívio ao perceber
que não ceder pode ser uma opção
em vez de não segurar a velha ponta
que remonta ao grande ato que é de mim
um travesso momentinho do capeta
faz careta pra assustar com a mesma arma
mas seu carma vem na forma do meu mundo
tripulias meticulosamente inventadas
e contadas como verdade se o caso for
de por em evidência uma velha falha
em que a malha se dá de acordo com as folias
por fim um grande alívio ao perceber
que não ceder pode ser uma opção
em vez de não segurar a velha ponta
que remonta ao grande ato que é de mim
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
4º CONTO
UM HERÓI
Um barulho! Sim, tinha certeza que acabara de escutar um barulho vindo da varanda. Mas não havia ninguém em casa, ninguém além dele e de sua insônia, que o perseguia desde o começo do mês.
Já se acostumara a não dormir. Os olhos pareciam esmurrados no espelho, mas eram só olheiras. Conversava e se divertia muito enquanto acordado, mas não sabia ao certo com quem. Ficava pensando em como seria se aquela linda mulher da fila do banco olhasse para ele de um modo que não fosse comum. Iria diverti-la e fazer com que ela pensasse que os momentos não poderiam ser melhores com ele e piores sem. Só assim pegava no sono e podia se livrar logo de si mesmo; ou então, não pensava em nada e tentava dormir na marra. Em vão.
Mas aquele barulho o animara. Agora tinha alguma ocupação enquanto o desejado sono não vinha. Não era todo dia que acontecia algo estranho por ali. E um barulho vindo da varanda – sim, tinha certeza – era uma coisa muito estranha para àquela hora da madrugada. Poderia ser algum ladrão tentando quebrar o cadeado do portão da varanda com algum martelo ou coisa do gênero. Um pensamento involuntário e repentino veio à sua mente: e se fosse só o vento? Que tolice! Por ali não havia ventos com força o bastante para causar um barulho daquele. Sim, não havia dúvida. Alguém estava tentado invadir sua casa, e ele não podia nem queria permitir isso. A mulher do banco ficaria orgulhosa se ele fizesse algo que provasse sua coragem e seu amor por ela.
Levantou-se vagarosamente, aproveitando cada momento em que seu corpo imitava ao de um herói cauteloso, ciente do perigo que o aguardava. Pé ante pé, locomovia-se felinamente. Ouvidos atentos para detectar mais outro possível barulho, por menor que fosse – um rangido de porta ou passos no chão, não importava. Estava pronto. Chegou à porta da sala, que dava direto para a varanda, esticou o braço para abri-la, vacilou. Não queria dar de cara com o inimigo, poderia ser muito perigoso. Não sabia do que se tratava. O invasor podia estar armado ou estar com mais alguém, um ajudante. Não queria pôr em risco a vida da mulher da fila do banco, sua amada. Com passadas longas e rápidas, porém silenciosas, chegou à janela.
Precisava abrir as venezianas sem fazer barulho; já havia barulho demais por ali, iria deixar isso por conta dos ladrões. Ele só observava. O ferrolho que mantinha as venezianas erguidas estava meio enferrujado, não seria uma boa idéia tentar puxá-lo. Suava frio enquanto pensava em onde os invasores poderiam estar. E se tivessem entrado pelos fundos e já estivessem dentro da casa? Arrepiou-se. Não podia sentir medo, pois a mulher do banco o observava, confiava nele. Mesmo com o olhar de exigência e quase imploração por algum ato de bravura, como se ela duvidasse de sua capacidade, ele sabia que era só capricho ou carência de mulher. Num gesto raivoso e decidido, puxou o ferrolho com rapidez e a madeira estalou. Tentava colocar os olhos arregalados entre as venezianas a fim de assustar quem estivesse lá fora. Mas não via ninguém.
A mulher da fila do banco encarava-o aparentemente assustada, esperando alguma reação do seu bravo homem, a quem escolhera para viver para sempre. Ele não podia decepcioná-la, não estava ali para isso. A casa era sua e ninguém entraria sem a devida permissão. Tinha que dizer isso em voz alta, assim ela se acalmaria e o abraçaria, mas preferiu ficar calado e transmitir alguma expressão de confiança para poder ver o sorriso desconcertado da bela mulher debaixo de sobrancelhas mortas e pupilas afogadas em lágrimas de orgulho.
Encontrou-se ainda à janela. Tranqüilidade lá fora. O barulho nem mesmo parecia ter acontecido. Mas não restava dúvida, tinha ouvido algo de estranho vindo da varanda e precisava descobrir do que se originara.
Depois de mais algum tempo parado, olhando para o céu através das venezianas, distraiu-se com a lua, com as nuvens avermelhadas e com as estrelas que brilhavam aleatoriamente. Resolveu voltar para a cama. Se ouvisse mais alguma coisa, voltaria correndo e muito zangado. Rosnou algo parecido com isso a uma altura suficiente para ser entendido e sentiu o forte abraço de sua amada.
Deitou-se. A insônia ainda estava presente, evidente. A mulher da fila do banco estava ao seu lado, e ele passaria a noite em claro, se preciso, somente para protegê-la. Mantinha-se acordado e já não pensava em mais nada. A mulher do banco estava em algum lugar, longe. Não conseguia dormir. Dessa vez, por medo.
Um barulho! Sim, tinha certeza que acabara de escutar um barulho vindo da varanda. Mas não havia ninguém em casa, ninguém além dele e de sua insônia, que o perseguia desde o começo do mês.
Já se acostumara a não dormir. Os olhos pareciam esmurrados no espelho, mas eram só olheiras. Conversava e se divertia muito enquanto acordado, mas não sabia ao certo com quem. Ficava pensando em como seria se aquela linda mulher da fila do banco olhasse para ele de um modo que não fosse comum. Iria diverti-la e fazer com que ela pensasse que os momentos não poderiam ser melhores com ele e piores sem. Só assim pegava no sono e podia se livrar logo de si mesmo; ou então, não pensava em nada e tentava dormir na marra. Em vão.
Mas aquele barulho o animara. Agora tinha alguma ocupação enquanto o desejado sono não vinha. Não era todo dia que acontecia algo estranho por ali. E um barulho vindo da varanda – sim, tinha certeza – era uma coisa muito estranha para àquela hora da madrugada. Poderia ser algum ladrão tentando quebrar o cadeado do portão da varanda com algum martelo ou coisa do gênero. Um pensamento involuntário e repentino veio à sua mente: e se fosse só o vento? Que tolice! Por ali não havia ventos com força o bastante para causar um barulho daquele. Sim, não havia dúvida. Alguém estava tentado invadir sua casa, e ele não podia nem queria permitir isso. A mulher do banco ficaria orgulhosa se ele fizesse algo que provasse sua coragem e seu amor por ela.
Levantou-se vagarosamente, aproveitando cada momento em que seu corpo imitava ao de um herói cauteloso, ciente do perigo que o aguardava. Pé ante pé, locomovia-se felinamente. Ouvidos atentos para detectar mais outro possível barulho, por menor que fosse – um rangido de porta ou passos no chão, não importava. Estava pronto. Chegou à porta da sala, que dava direto para a varanda, esticou o braço para abri-la, vacilou. Não queria dar de cara com o inimigo, poderia ser muito perigoso. Não sabia do que se tratava. O invasor podia estar armado ou estar com mais alguém, um ajudante. Não queria pôr em risco a vida da mulher da fila do banco, sua amada. Com passadas longas e rápidas, porém silenciosas, chegou à janela.
Precisava abrir as venezianas sem fazer barulho; já havia barulho demais por ali, iria deixar isso por conta dos ladrões. Ele só observava. O ferrolho que mantinha as venezianas erguidas estava meio enferrujado, não seria uma boa idéia tentar puxá-lo. Suava frio enquanto pensava em onde os invasores poderiam estar. E se tivessem entrado pelos fundos e já estivessem dentro da casa? Arrepiou-se. Não podia sentir medo, pois a mulher do banco o observava, confiava nele. Mesmo com o olhar de exigência e quase imploração por algum ato de bravura, como se ela duvidasse de sua capacidade, ele sabia que era só capricho ou carência de mulher. Num gesto raivoso e decidido, puxou o ferrolho com rapidez e a madeira estalou. Tentava colocar os olhos arregalados entre as venezianas a fim de assustar quem estivesse lá fora. Mas não via ninguém.
A mulher da fila do banco encarava-o aparentemente assustada, esperando alguma reação do seu bravo homem, a quem escolhera para viver para sempre. Ele não podia decepcioná-la, não estava ali para isso. A casa era sua e ninguém entraria sem a devida permissão. Tinha que dizer isso em voz alta, assim ela se acalmaria e o abraçaria, mas preferiu ficar calado e transmitir alguma expressão de confiança para poder ver o sorriso desconcertado da bela mulher debaixo de sobrancelhas mortas e pupilas afogadas em lágrimas de orgulho.
Encontrou-se ainda à janela. Tranqüilidade lá fora. O barulho nem mesmo parecia ter acontecido. Mas não restava dúvida, tinha ouvido algo de estranho vindo da varanda e precisava descobrir do que se originara.
Depois de mais algum tempo parado, olhando para o céu através das venezianas, distraiu-se com a lua, com as nuvens avermelhadas e com as estrelas que brilhavam aleatoriamente. Resolveu voltar para a cama. Se ouvisse mais alguma coisa, voltaria correndo e muito zangado. Rosnou algo parecido com isso a uma altura suficiente para ser entendido e sentiu o forte abraço de sua amada.
Deitou-se. A insônia ainda estava presente, evidente. A mulher da fila do banco estava ao seu lado, e ele passaria a noite em claro, se preciso, somente para protegê-la. Mantinha-se acordado e já não pensava em mais nada. A mulher do banco estava em algum lugar, longe. Não conseguia dormir. Dessa vez, por medo.
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
o som dos sonhos
impera o grave de grossos fios e de pele viva
num palco de samba estampado com flores
onde o recheio de grãos inquietos marca a hora
de entrar quase caindo numa saia rodada
enganos de pausa fazem os pés se encontrarem
e então se calarem com a euforia um do outro
sapecando no repique do balanço que se estende
pra outro dia não haver com tamanha liberdade
passa cor e passa brilho sem vazio nesse espaço
todo passo em quaquer tempo sem ousar pedir perdão
epidemia de alegria contagia e não tem cura
o som dos sonhos quero ouvir em cada instante mais real
num palco de samba estampado com flores
onde o recheio de grãos inquietos marca a hora
de entrar quase caindo numa saia rodada
enganos de pausa fazem os pés se encontrarem
e então se calarem com a euforia um do outro
sapecando no repique do balanço que se estende
pra outro dia não haver com tamanha liberdade
passa cor e passa brilho sem vazio nesse espaço
todo passo em quaquer tempo sem ousar pedir perdão
epidemia de alegria contagia e não tem cura
o som dos sonhos quero ouvir em cada instante mais real
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