"ARE YOU TALKING TO ME?"
Sempre gostei de filmes. Porém, de uns meses pra cá, acho que este gosto tem se transformado numa paixão. É certo que praticamente todo mundo assiste filmes, mas destes, somente alguns gostam de discutir sobre eles, e destes, somente alguns sabem o que estão dizendo. É certo também que só sabem discutir sobre filmes aqueles que assistem o maior número possível destes, e de qualidade.
Digo isto porque não adianta você assistir trezentos dramalhões estilo Sete Vidas, quinhentas paródias ao nível de Todo Mundo em Pânico e mil filmes de ação com o Steve Segal pra dizer que assistiu muitos filmes e, por isso, sabe discutir sobre eles. É preciso assistir muitos filmes, sim, mas filmes que mostrem porque o cinema é uma arte antes de ser uma indústria. Dentre estes, os considerados clássicos são insuperáveis.
Eu já tive muita resistência em assistir este tipo de filme, mesmo quando meu gosto por cinema já se transformava em paixão. Antes mesmo de assistir obras-primas como O Poderoso Chefão e Casablanca, eu já os achava chatos, enfadonhos, monótonos, enfim, tudo o que um bom preconceito diz servir de argumento contra algo. Mas, quando meu interesse por cinema atingiu uma maturidade que não se satisfazia mais com o conforto da identificação com o meu tempo projetado na grande tela, aventurei-me por tempos passados, até remotos, sendo aí onde e quando o cinema me afetou da melhor forma.
Já virou um clichê pseudo-intelectual dizer que os melhores filmes são os antigos. Claro que não podemos generalizar nada neste mundo, até porque só podemos falar do que conhecemos. E é por isso mesmo que eu digo: os melhores filmes são os antigos! Seja pela forma madura de contar histórias, mesmo aquelas voltadas para o público infanto-juvenil; seja pelo tipo de mensagem despretenciosa e confiante no poder de reflexão do público que as recebe, sem precisar se escrachar em verborragias quando se pode usar apenas imagens; seja pelos diálogos extremamente necessários para os rumos das ações, sem apenas narrá-las e serem conduzidos por elas; seja pela sincera preocupação em fazer arte, ousando por necessidade criativa e não por destaque.
É uma experiência mágica perceber de onde os melhores diretores da atualidade tiraram sua maneira de fazer filmes, ou seja, conhecer o mestre do seu mestre. Isto aconteceu comigo particularmente quando eu assisti aos faroestes que compunham a chamada "trilogia dos dólares" de Sergio Leone, a saber: Por um Punhado de Dólares, Por uns Dólares a Mais e Três Homens em Conflito. Foi aí que eu percebi de cara a influência destas películas em Quentin Tarantino, considerado por mim um dos maiores diretores/roteiristas de cinema ainda vivo.
Enfim, minha intenção aqui não é fazer uma apologia aos clássicos do cinema - mesmo já o tendo feito -, mas sim expressar minha paixão pela sétima arte e mais ainda pela arte em geral (já falei que o amor da minha vida é a música?). Só pra não dizer que eu não valorizo o cinema contemporâneo, aqui vão alguns exemplos de ótimos filmes produzidos em nossa época: Dogville (Lars von Trier, 2003), Onde os Fracos Não Têm Vez (Joel e Ethan Coen, 2007), Os Bons Companheiros (Martin Scosese, 1990), Bastardos Inglórios (Quentin Tarantino, 2009), O Lutador (Darren Aronofsky, 2008), Cidade de Deus (Fernando Meirelles, 2002), Abril Despedaçado (Walter Salles, 2001), dentre outros...
Antes de finalizar, gostaria de deixar aqui o nome de quatro diretores que eu considero os melhores dentre os que eu conheço razoavelmente o trabalho: Quentin Tarantino, Stanley Kubrick, Sergio Leone e Martin Scosese. Agora sim, pra finalizar, deixo aqui meu Top 10 Melhores Filmes, que levei meses pra fazer. Já postei essa lista em meu flog (http://fotolog.com/quase_quasimodo), mas de uns dias pra cá pensei em algumas revisões, que sempre vão ter à medida que eu for assistindo mais filmes, ou seja, não sei até quando esta lista vai valer do jeito que ela se encontra aqui!
01. O Exorcista (William Friedkin, 1973)
02. Tempos Modernos (Charles Chaplin, 1936)
03. Três Homens em Conflito (Sergio Leone, 1966)
04. 2001: Uma Odisséia no Espaço (Stanley Kubrick,1968)
05. Pulp Fiction (Quentin Tarantino, 1994)
06. O Poderoso Chefão (Francis Ford Coppola, 1972)
07. Era uma Vez na América (Sergio Leone, 1984)
08. Metrópolis (Fritz Lang, 1927)
09. Casablanca (Michael Curtiz, 1942)
10. Noite dos Mortos-Vivos (George Romero, 1968)
quinta-feira, 15 de abril de 2010
quinta-feira, 8 de abril de 2010
casa imunda
as migalhas sujam o alpendre
e o cocô macha as paredes
entre elas há duas redes
cujos donos não se tocam
nem palavras eles trocam
desde não se sabe quando
e as aves vêm voando
pra buscar seu alimento
miolos brancos no cimento
e mal comem, já descomem
melando toda a casa do homem
deixando só um clima hostil
e o cocô macha as paredes
entre elas há duas redes
cujos donos não se tocam
nem palavras eles trocam
desde não se sabe quando
e as aves vêm voando
pra buscar seu alimento
miolos brancos no cimento
e mal comem, já descomem
melando toda a casa do homem
deixando só um clima hostil
quinta-feira, 1 de abril de 2010
cidade estranha
um amor nunca foi tão parte
desta vida e seu grande preço
ativa e cativa como toda arte
a favor do mundo e seu tropeço
a indiferença pode até servir
pra se manter sem ameaças
mas o acaso poderá pedir
uma decisão que lhe dê asas
em meio à guerra há um oasis
de liberdade em outra pessoa
pois a vida tem suas fases
até pra quem só vive à toa
a casa deles estava longe
mas ali encontraram um lar
pois sentimento não vê onde
só vê quando pode se dar
desta vida e seu grande preço
ativa e cativa como toda arte
a favor do mundo e seu tropeço
a indiferença pode até servir
pra se manter sem ameaças
mas o acaso poderá pedir
uma decisão que lhe dê asas
em meio à guerra há um oasis
de liberdade em outra pessoa
pois a vida tem suas fases
até pra quem só vive à toa
a casa deles estava longe
mas ali encontraram um lar
pois sentimento não vê onde
só vê quando pode se dar
sexta-feira, 26 de março de 2010
estabanado
perito em se estabanar no primeiro encontro ocasional
junqueira lopes de melo e cruz atravessava a perimetral
lembrando da bela moça que conhecera no carnaval
e da camisa que esquecera pendurada em seu varal
naquela noite em que a lua se espreguiçava no quintal
e a cor da maisena fazia parte do casal
se amassavam entre as ruelas sem medo de cobra coral
sem problema quando ela disse que fazia tudo senão anal
não havia poesia em suas juras de amor carnal
mas prometeram ficar pregados pelo menos até o natal
entretando hoje à tarde a bela moça passou mal
e lá vai junqueira lopes sair atrás de um sonrisal
perito em se estabanar no primeiro encontro ocasional
estabanou-se num chevete e foi parar no hospital
depois de um mês pensando que ia ficar tudo legal
ele teve uma recaída inesperada e foi fatal
junqueira lopes de melo e cruz atravessava a perimetral
lembrando da bela moça que conhecera no carnaval
e da camisa que esquecera pendurada em seu varal
naquela noite em que a lua se espreguiçava no quintal
e a cor da maisena fazia parte do casal
se amassavam entre as ruelas sem medo de cobra coral
sem problema quando ela disse que fazia tudo senão anal
não havia poesia em suas juras de amor carnal
mas prometeram ficar pregados pelo menos até o natal
entretando hoje à tarde a bela moça passou mal
e lá vai junqueira lopes sair atrás de um sonrisal
perito em se estabanar no primeiro encontro ocasional
estabanou-se num chevete e foi parar no hospital
depois de um mês pensando que ia ficar tudo legal
ele teve uma recaída inesperada e foi fatal
quinta-feira, 18 de março de 2010
5º CONTO
CENTOPÉIA
Quem somos nós para falarmos sobre as coisas da vida? Para toda faísca de essência humana que se apresenta das formas mais banais é levantada uma série de questionamentos, e centenas de linhas são escritas para defender alguma outra idéia minimamente compreensível sobre a estranheza de nós, algo que seja capaz de satisfazer ou pelo menos aliviar a sede dos homens por respostas. Pobres homens... O peso das aparentes descobertas que sempre calam nossa compulsiva prepotência um dia há de nos surpreender muito. E aí, já não teremos certeza de mais nada.
Devia estar dormindo àquela hora, mas a fome era tanta que nem se dava o luxo de comer alguma coisa – fome de grandeza. Livros enchiam a escrivaninha e alguns outros móveis, papéis soltos passavam de mãos para gavetas, e destas, novamente para mãos suadas e sempre ocupadas. Os olhos se esbugalhavam para não ceder ao sono. Parava as atividades por alguns minutos somente para fazer mais e mais café. Nem mesmo um suspiro de cansaço caberia entre aquelas luzes concentradas e as folhas de papel lotadas de letras e algumas fórmulas extravagantes. Num clima de caos e cafeína, aquele ser humano acreditava em si.
No dia seguinte, era abordado por todos do trabalho com os “que anda fazendo?” de costume. Respondia mordendo a língua enquanto se esquivava desajeitado dos indesejáveis curiosos. Sua cabeça era rodeada por teorias e novas perguntas que pareciam fazer parte de seu próprio corpo. Ansiava pelo fim do expediente e abria mão do horário livre, só para matar sua fome. Seu egoísmo e sua vaidade, juntos, consumiam-no aos poucos, deixando apenas os restos que eram visíveis a qualquer mísero olho nu. Não poderia ser tão complexo assim, acontecia no dia-a-dia, até um mendigo sem o mínimo de instrução era capaz de sentir e explicar aquilo de acordo com sua típica ignorância. Mas ele procurava por ciência, por lógica, sempre atento a qualquer vulto de razão que se movesse rapidamente entre um pensamento e outro para, no momento exato, acertá-lo com seu poderio mental.
Os dias fluíam que nem segundos, e até lembrou-se da Relatividade de Einstein. Viu? Cada pergunta era mãe de uma resposta firmada, mas deviam ter sido separadas em tempos remotos por algum místico louco que só queria chamar atenção, com certeza por mero capricho. Sentia que estava no caminho certo. Só mais algumas noites em claro, algumas dezenas de papéis marcados de lado a lado, e todas as idéias estariam registradas, somente esperando por alguma mente brilhante que juntasse os pedaços na ordem certa. E assim, o tempo corria...
Em algum dia sempre comum para ele e novo para os outros, caminhará de volta para casa com a mesma pressa característica daqueles viciados que passam indiferentemente pelas portas, pelas pessoas e por qualquer outro obstáculo que julgam não existir ou não apresentar perigo, e fincará os olhos involuntariamente em uma figura capaz de lhe fazer parar pela primeira vez e observar o acaso. Neste momento, todos os números, letras e exaustões que ainda hoje circulam sua mente cairão sob seus pés e se quebrarão como vidro a uma distância que ele poderá até pisá-los, se não estiver intacto. Tudo fará sentido para ele e não para o mundo. Depois de longas unidades de tempo que não se pode denominar, ele terá todas as respostas, mas não se importará em jogá-las na cesta de lixo à sua esquerda.
Quem somos nós para falarmos sobre as coisas da vida? Para toda faísca de essência humana que se apresenta das formas mais banais é levantada uma série de questionamentos, e centenas de linhas são escritas para defender alguma outra idéia minimamente compreensível sobre a estranheza de nós, algo que seja capaz de satisfazer ou pelo menos aliviar a sede dos homens por respostas. Pobres homens... O peso das aparentes descobertas que sempre calam nossa compulsiva prepotência um dia há de nos surpreender muito. E aí, já não teremos certeza de mais nada.
Devia estar dormindo àquela hora, mas a fome era tanta que nem se dava o luxo de comer alguma coisa – fome de grandeza. Livros enchiam a escrivaninha e alguns outros móveis, papéis soltos passavam de mãos para gavetas, e destas, novamente para mãos suadas e sempre ocupadas. Os olhos se esbugalhavam para não ceder ao sono. Parava as atividades por alguns minutos somente para fazer mais e mais café. Nem mesmo um suspiro de cansaço caberia entre aquelas luzes concentradas e as folhas de papel lotadas de letras e algumas fórmulas extravagantes. Num clima de caos e cafeína, aquele ser humano acreditava em si.
No dia seguinte, era abordado por todos do trabalho com os “que anda fazendo?” de costume. Respondia mordendo a língua enquanto se esquivava desajeitado dos indesejáveis curiosos. Sua cabeça era rodeada por teorias e novas perguntas que pareciam fazer parte de seu próprio corpo. Ansiava pelo fim do expediente e abria mão do horário livre, só para matar sua fome. Seu egoísmo e sua vaidade, juntos, consumiam-no aos poucos, deixando apenas os restos que eram visíveis a qualquer mísero olho nu. Não poderia ser tão complexo assim, acontecia no dia-a-dia, até um mendigo sem o mínimo de instrução era capaz de sentir e explicar aquilo de acordo com sua típica ignorância. Mas ele procurava por ciência, por lógica, sempre atento a qualquer vulto de razão que se movesse rapidamente entre um pensamento e outro para, no momento exato, acertá-lo com seu poderio mental.
Os dias fluíam que nem segundos, e até lembrou-se da Relatividade de Einstein. Viu? Cada pergunta era mãe de uma resposta firmada, mas deviam ter sido separadas em tempos remotos por algum místico louco que só queria chamar atenção, com certeza por mero capricho. Sentia que estava no caminho certo. Só mais algumas noites em claro, algumas dezenas de papéis marcados de lado a lado, e todas as idéias estariam registradas, somente esperando por alguma mente brilhante que juntasse os pedaços na ordem certa. E assim, o tempo corria...
Em algum dia sempre comum para ele e novo para os outros, caminhará de volta para casa com a mesma pressa característica daqueles viciados que passam indiferentemente pelas portas, pelas pessoas e por qualquer outro obstáculo que julgam não existir ou não apresentar perigo, e fincará os olhos involuntariamente em uma figura capaz de lhe fazer parar pela primeira vez e observar o acaso. Neste momento, todos os números, letras e exaustões que ainda hoje circulam sua mente cairão sob seus pés e se quebrarão como vidro a uma distância que ele poderá até pisá-los, se não estiver intacto. Tudo fará sentido para ele e não para o mundo. Depois de longas unidades de tempo que não se pode denominar, ele terá todas as respostas, mas não se importará em jogá-las na cesta de lixo à sua esquerda.
quinta-feira, 11 de março de 2010
males
dona astride tem gastrite
salvador tá com tumor
seu alceu adoeceu
conrado tá resfriado
mônica tem dor crônica
nicolau já passa mal
dona lia tem leucemia
e todos vão para a igreja
pra pedir que o padre veja
alguma coisa que esteja
a favor de sua peleja
contra todo mal que almeja
servir as almas numa bandeja
ainda mais com uma cereja
pro diabo que as fareja
mas o padre não tem mais
tanta força pra ir atrás
do maldito satanás
pois ser bom nunca lhe traz
benefícios que jamais
permitam que males fatais
lhe arranquem toda paz
que sempre lhe satisfaz
o diaconato tem infarto
o sacerdote vê a morte
o seu bispo corre risco
o cardeal é perirenal
papa bento morre lento
o coroinha tem espinha
marcelo rossi tá com tosse
e a freira com caganeira
salvador tá com tumor
seu alceu adoeceu
conrado tá resfriado
mônica tem dor crônica
nicolau já passa mal
dona lia tem leucemia
e todos vão para a igreja
pra pedir que o padre veja
alguma coisa que esteja
a favor de sua peleja
contra todo mal que almeja
servir as almas numa bandeja
ainda mais com uma cereja
pro diabo que as fareja
mas o padre não tem mais
tanta força pra ir atrás
do maldito satanás
pois ser bom nunca lhe traz
benefícios que jamais
permitam que males fatais
lhe arranquem toda paz
que sempre lhe satisfaz
o diaconato tem infarto
o sacerdote vê a morte
o seu bispo corre risco
o cardeal é perirenal
papa bento morre lento
o coroinha tem espinha
marcelo rossi tá com tosse
e a freira com caganeira
quinta-feira, 4 de março de 2010
o macho
se um fantasma aparecer
o primeiro a correr sou eu
se o silêncio acontecer
o primeiro a falar perdeu
se o verão nos aquecer
o primeiro copo é meu
se ela aqui se ofender
o primeiro tapa é seu
se uma distância aumentar
a primeira será a da lua
se o meu fusca falar
a primeira frase é crua
se as regras eu ditar
a primeira é "fique nua"
e se você não gostar
a segunda será "pra rua"
o primeiro a correr sou eu
se o silêncio acontecer
o primeiro a falar perdeu
se o verão nos aquecer
o primeiro copo é meu
se ela aqui se ofender
o primeiro tapa é seu
se uma distância aumentar
a primeira será a da lua
se o meu fusca falar
a primeira frase é crua
se as regras eu ditar
a primeira é "fique nua"
e se você não gostar
a segunda será "pra rua"
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