quinta-feira, 17 de setembro de 2009

o chão é pra dançar

taca o pé na areia batida que nunca parte
mas levanta sujeira que ninguém quer lavar
chinelo de couro não se importa em rasgar

numa saia rodada, do imoral se faz arte
a moça que gira tem a cor do café
falta roupa de linho mas aqui sobra fé

o rapaz que acompanha quase tem um enfarte
com o calor que promete esquentar para sempre
"quem chegar no recinto, pegue o mote e entre"

e ao som da rabeca ecoando até tarde
com o suor sertanejo que cheira a liberdade
o casal estampado faz amor de verdade

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

tem de tudo e tende a pouco

poucos são sãos
muitos sansões
de cabelo e coelho
muitos tem um pouco

já sei que sansei
já cansou e cessou
de buscar em terra firme
o caminho para o céu

trocando de lado
não troca de fardo
em todo caso e canto
existe pouco de tanto

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Série Velhos Poemas: CONSERVAÇÃO

que estejam cansados
do avesso da realidade
que destruam
nossos pensamentos
diluídos em sentimentos
inexistentes, porém incontestáveis
que parem
de tentar achar respostas
respirando idéias bobas
que ninguém quer desistir
que desistam
de esconder qualquer verdade
que talvez possa existir
por trás de tanta ignorância
que nos mostrem
o que realmente procuramos
e viemos procurando
desde o despertar
da primeira aurora
que algum de nós
mude alguma coisa
para sempre algum dia
que seja o fim
das ilusões, das traições
de qualquer coisa
que ainda seja conservada
por quem tem medo de existir
e que a realização da realidade
venha a ofuscar os olhos
de alguém que algum dia
mude de idéia

para sempre...

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

fidalgo tiro-certo

o menino fidalgo tinha uma espingarda
matava calango e brincava de guarda
metia bala nos ruivinhos com sarda
só não em si mesmo, pois "talvez arda"

menino traquina atirava pra todo lado
ali, pombo-correio não deixava recado
quando avistava um, já estava armado
o pobre voador caía todo estilhaçado

mas como todo menino, fidalgo cresceu
tantas mortes nas costas, então resolveu
selecionar suas vítimas "só pra ver se eu
tomo jeito na vida pra matar quem mereceu"

foi então que fidalgo descobriu uma maneira
de atirar no alvo certo sem errar por besteira
pegou sua espingarda e sentou-se em uma cadeira
deu um tiro em sua testa que inchou feito papeira

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

figura estranha

uma figura estranha emerge do chão
tento afundá-la novamente sem sucesso
perco a paciência e a deixo quieta
mas novas figuras estranhas aparecem
consigo pisar em algumas, mas perco o controle
aquela primeira figura esboça um sorriso
por saber que eu não sou capaz de enterrá-la

mas, de repente, alguém entra pela porta
meus passos em direção à pessoa são seguros
tanto, que afundam as figuras secundárias restantes
levo o alguém para o local onde tudo começou
um leve sopro é o bastante para a figura esvaecer

desde então, novas figuras ainda emergem do chão
porém, nenhuma é párea para a força de nós dois

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

daqui

passam dias e a janela aberta não adianta
pois o vento não circula e só me bate com a mesma força
indo e voltando com os mesmos grãos de afeto
que inevitavelmente têm o mesmo gosto

já faz tempo...

mas ao contrário de natalie, eu forço a barra
e não espero o cubo de madeira voar
imerso no mar de possibilidades da imaginação
eu minto e justifico pela liberdade dos poetas
de ser outro diferente e até oposto

mas que não sai daqui.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

DIÁLOGO X

SOBRE CERVEJA, FUTURO E PESSOAS

quando tudo o que você pensava que antes estava errado agora não parece um problema, um alívio imediato toma conta de toda a situação. isto não é errado. isto não é crime nem pecado, como já indagou Homer Simpson.

nestes momentos há sim coisas a serem levadas pro resto da vida, há sim mazelisses, safadesas e outras qualidades negadas pela sociedade "correta". porém, há sim verdade, e isso ninguém é capaz nem passível de criticar, pois é a minha verdade e a de outros também, embora minoria.
a gente fala da vida como se vivesse, e não como se planejasse viver. a gente fala de amor como se amasse e não como se quisesse amar. a gente fala da gente. a gente fala de tudo o que somos e o que estamos em um certo momento.
não, não seremos criticados por isto. não seremos criticados por ser verdadeiros em um determinado momento do dia onde tudo faz sentido. não seremos criticados pela diferença e indiferença do estado de embreaguez.
quem não entender isto, atreva-se a tecer um comentário que preze por um estado de espírito. e apenas um.