quinta-feira, 11 de setembro de 2008

sem

uma eterna lembrança não diz muita coisa
um amor de verdade quer dizer muito menos

nada fala mais que o tropeço de cada dia
que sol após lua só tende a nunca permanecer
e desaparece antes mesmo de acontecer

não tem sentido nem razão de existir
não é poluído pelo amor humano
nem possuído pelos sentimenos mais nobres da vida

apenas não existe porque ninguém se importa
e só existe porque ninguém se importa

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

a-e-i-o-u

esse ar que leva o meu pensar
até lá e não volta para cá
é o mesmo que me faz chamar
o teu nome até me cansar

quem vê o que tem que fazer
deve ser quem não tem prazer
pois não faz o que há de querer
e nem quer o que tanto vê

senti que não tem pra onde ir
e menti mesmo quando saí
pra vir só quando descobrir
que não tem nem mais onde cair

de uma flor faço o meu amor
e te dou pra sarar tua dor
com meu frio escondo o teu calor
que pra flor deu uma nova cor

esse dia é para eu e tu
e o sol revela algo incomum
nas curvas do teu corpo nu
e nos versos a-e-i-o-u

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

azáfama

corre-corre, que pé doido
sempre dá tudo a perder
confusão, só mais que oito
sem ficar com o que é pra ter

a gargalhada dá o gás
pro fermento dessa pressa
atrapalha mais que faz
um trabalho bom a bessa

e no fim já não se cansa
de olho aberto nada vê
só a sombra da esperança
que insiste em aparecer

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

marina só queria fazer parte do mundo gay

chorou a desatina
tomou uma aspirina
pra festa continuar

então olhou pra cima
pedindo aquele clima
pro amor se revelar

olhou praquela mina
tomou anfetamina
pra saber como chegar

escorregou na vasilina
bateu queixo na quina
e começou a chorar

o cérebro de marina
escorreu pela narina
até não poder pensar

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

tudo por um pouco de diversão

quando está tudo bem
quando sabemos o que vem
nada assusta, nem ninguém
tudo custa, e ela também

quando está tudo mal
quando não há nem mais degrau
tudo alerta e não é igual
nada espera, nem carnaval

sendo assim, eu quero, pois
comer espinho, e não arroz
deixo o carinho pra depois
que caia o céu bem em nós dois

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

DIÁLOGO VI

A PALAVRA "AZAR"

recentemente, eu comprei uma câmera digital. ela grava vídeos com áudio e serve também como webcam. por isso, escolhi a dedo a câmera que eu queria: com tais funções e com um preço que não estourasse os meus bolsos!
pois bem... eis que a bendita câmera veio com uns botões defeituosos. nada que comprometa o funcionamento básico da câmera, dá para se fazer tudo com ela. porém, o cliente merece um produto novo que esteja funcionando 100%, é ou não é?
lá fui eu reclamar no dia seguinte sobre a câmera com defeito. só tinha mais uma daquele modelo na loja, que para o meu azar também estava com defeito! e ainda mais defeito do que a minha: nessa, nenhum dos botões funcionava!
eles ficaram de encomendar mais câmeras daquele modelo com urgência, e estabeleceram um prazo de no máximo cinco dias para me ligarem dizendo que eu poderia buscar a nova máquina.
cinco dias se passaram e nada... no sexto dia, eu fui na loja pela segunda vez (terceira, se contarmos com a vez que eu fui comprar). dessa vez, falei com o sub-gerente, que parecia nem saber do meu caso, mas tratou logo de providenciar a transferência do produto de uma outra loja para aquela. me garantiu que no dia seguinte a câmera nova estaria na loja, e que ele iria me ligar assim que ela chegasse - até anotou isso na agenda dele.

no dia seguinte, nada de telefonema. fui eu pela terceira ou quarta vez na loja (dependendo do referencial de contagem) reclamar sobre a minha câmera com defeito. falei novamente com o sub-gerente e ele fez um telefonema. depois de desligar, começou me explicando - como da primeira vez que falei com ele - com um "é o seguinte...". e falou que não sei quem só tinha ligado para não sei outro quem de noite, e que a loja que faria a transferência da minha câmera nova para aquela loja já tinha fechado àquela hora. depois de perceber a minha cara de indignação, concluiu com um "é foda...". mas garantiu pela segunda vez que no dia seguinte a câmera nova estaria ali por volta de uma ou duas horas da tarde.
pois bem, no dia seguinte, ou seja, hoje, por volta das duas da tarde, lá estava eu pela quarta ou quinta vez na loja - como preferirem -, para obter a bendita a minha bendita câmera nova. cadê o sub-gerente? uma funcionária da loja - cuja eu fiz a questão de pegar o nome - me informou que ele estava no médico e ela não sabia que horas ele iria chegar, se é que o maldito iria chegar... como uma aparente boa funcionária, ela anotou o número do meu pedido e avisou que se comprometeria com o meu caso. anotou também os meus telefones para me ligar assim que o produto chegasse. vou lá amanhã de novo, ela ligando ou não!
coisas desse tipo só me fazem pensar cada vez mais no azar que eu tenho para tratar desses assuntos burocráticos. faço tudo direitinho, como previsto, mas SEMPRE e especialmente no MEU caso, as coisas insistem em dar errado. será que aquele boato sobre o simples fato de dizer a palavra "azar" já traria o maldito para a vida do linguarudo é realmente verdade?
bem, enquanto isso eu vou me tornando o mais novo inquilino do shopping iguatemi.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

sobre lá

o cheiro firme de cimento me alerta sobre o dia
a terra é firme e suja como o resto tem que ser
folhas secas dando gritos quando quebram ao padecer
o arrepio daquele rio também faz com que ela ria

dali não movo um pé e eu nem mesmo queria
a noite é sem mistério e eu ando por andar
a estrada esburacada só me faz querer dançar
tudo é sempre igual mas nada mais eu pediria