quinta-feira, 24 de abril de 2008

nem todo mundo, marisa

eu resisto à tentação
mesmo sem querer
minha natureza é traição
não sei bem porquê

pelo menos me ajudo
não nego meu limite
após saber que tudo
não passa de um palpite

quinta-feira, 10 de abril de 2008

pareceria que foi ontem se não tivesse sido hoje

estava tentando e errando
testando um fórmula pra mergulhar
num cá ou lá que buraco nenhum engole

não tome liberdade pra me entreter
pois querendo ou não a gente sente
a bela ou a fera dos sonhos apagados

por enquanto num manto se esconde
uma luz pequenina que ninguém vê
todo mundo procura o que se basta esperar

sexta-feira, 4 de abril de 2008

quase-ninguém-quase-nunca-agora-relaxado

por quase ninguém agora atendo
nem ninguém sou por inteiro
na mesma tecla vou batendo
sou quem nunca vem primeiro

quase nunca sou agora
porém, agora o sou
sou um quase-nunca-agora
não me chame, pois não vou

eu sou quem não me acho
sempre triste e tão fechado
tanto tempo e não reajo
sou portanto, relaxado

apresentei minha pessoa
de uma forma tão perfeita
que ninguém mais se afeiçoa
por mim e minha desfeita

sexta-feira, 28 de março de 2008

árvore

guardo minhas coisas em um lugar
um cantinho onde ninguém vai procurar

não faço mais desdém do meu viver
a manhã me chama e não quero me esconder

um novo dia não escolhe a quais olhos abrir
a serenidade não informa o que devo sentir

guardo minhas coisas em um lugar
que só eu sei quando e onde existirá

sexta-feira, 21 de março de 2008

o monstro que se esconde atrás dos sonhos

impossível de ser mais
só se a tosca pertinência
desse as caras de uma vez
por todas, por e para todos nós

vem pra corroer a situação
esse estado último de desejo
quebrando a nossa luz e a do sol
apressando o seu pôr e nossa deixa

eu deixo
mas não devia.

sexta-feira, 14 de março de 2008

Série Velhos Poemas: VERSUS AMOR

Apesar de minha fuga, lacrada com véu de couro,
Nada se evidencia mais do que minha justa fobia
Embora siga farsante e risonho pelo mesmo caminho
Onde não se permitem maiores traduções

Caminho este, forrado por puras e belas flores
Mas um cravo sem raiz nem controle as esqueceu
No relento do vento que não via volta – para si mesmo
Nem ida debaixo das nuvens

Guardado a quantas chaves houver – não importa
Nem mesmo por engano consigo uma salvação
Enquanto os pés, desde sempre, enterrados por metais
Não tão preciosos quanto as aves do finalmente

Coração pintado a gesso pelas próprias mãos;
De outros, recebendo incessantes marteladas
Sem quebrar...

sexta-feira, 7 de março de 2008

o que vem de novo

tenho furos nas mãos e no papo
me foge qualquer espécie de contato
pago o pato, estou fadado

a ser o todo e sempre famoso
fugaz por excelência

entra gato, sai sapato
morfado e tão safado
de fato!

não sabe o que é um tato
e nunca aprende a eclodir