quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

não aceito comentários de revolta

em volta do meu corpo, só encontro estranhamento
e a quilômetros de casa, já me sinto em minha cama
é a ânsia pela certeza de que nada vai acontecer
me puxa para o mesmo e me droga com conforto

nada melhor que a estabilidade para nos fazer voltar
novidades passam longe e, quando perto, passam logo
impossível evitar uma alegria maior que uma esperança
enquanto isso, ouço apelos de revolta que nada me dizem

todas as vozes são engolidas pela grandeza do nada
e eu somente tenho que agradecer à imensidão real
por resistir implacável ao comércio de promessas
"melhor, novo e diferente" não me tocam nunca mais

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Série Velhos Poemas: PANO QUENTE

de manhã, falo baixo
pano quente, mas relaxo
mordo macio, que arrepio

separo os pães, liso café
balança a mesa, tenha fé
sopro fino, calafrio

reina soberana.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

somente sambo

penso pequeno agora
sorrio comendo amora
escorado num pé de jambo
vendo um filme do rambo

eu não sou gato, não me lambo
sou brasileiro, somente sambo
quem ama nunca chora
já eu, vou logo embora

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

canto algum

a beleza me enoja
desprezo sonhos reais
vomito sobre os lençois
que cobrem um amor verdadeiro
e descubro por conta própria
a validade de um infeliz

a perfeição existe
nas melhores famílias
mas não o deveria
em canto algum

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

22

mais um, menos um
novamente, derradeiro
para sempre, nunca mais
quem sabe, vai saber
vai...

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

quentchura

pressiona-me um peso invisível
mas "sentível" na medida em que me esmaga
há tempos planejo jogá-lo fora
porém só cresce e parece cobrar postura

até Quentchura no seu jeito louco me faz inveja
quem me dera agradecer a deus por todas as músicas
ouvidas e dançadas ao som do que não importa
ao som dos devaneios e despenteios
do álcool, do sábado e da felicidade

e pensar que "só dá vocês"
na mais pura e louca forma de se entregar

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

renovar

o presente não dá brecha para as idéias novatas
pra criar e transformar, é preciso mais que hoje
uma noite de euforia não abafa todo o grito
e toda face de alegria sempre tem que ser mostrada

a espera se arrasta pelo chão de cada hora
no momento oportuno não há mais faísca viva
e o terreno devoluto faz de conta que é sem fim
só pro sonho não abraçar a realidade e ser feliz